Nenhuma outra tendência marcou mais as colecções apresentadas para esta temporada do que a moda dos ídos anos 70. As passarelas encheram-se de propostas das marcas mais influentes, inspiradas nessa era gloriosa, agora mais elegante e menos hippie.
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| Vogue Itália Suggestions, foto: Kt Auleta |
Talvez esta inspiração não aconteça por acaso. A década de 70 marcou uma concepção nova, muito individualista, de olhar para a moda. Foi um tempo de dispersão. O estilo libertou-se da norma e cada um começou a escolher o que mais lhe agradava.
Nos anos 70 todos os estilos se misturaram. O hippie natural e boémio, o disco sofisticado e sexy, o desportivo descontraído e confortável, o glam cheio de fantasia, brilho e muito ousado. De repente tudo passou a ser permitido. O jornalista e escritor norte-americano Tom Wolfe definiu a década de 70 de “me-decade”, ou seja, “a década do eu”. A tal ponto que houve quem a caracterizasse a década do mau gosto, pela mistura e exagero, uma autêntica antimoda.
A crise do petróleo e consequente recessão e desemprego que assolaram o início da década trouxeram consigo as roupas informais, leves e confortáveis para o dia, mas também muita fantasia e roupa sexy para a noite, nas discotecas, onde a vida real ficava à porta. As roupas tinham de brilhar sob o jogo de luzes. O glam-rock foi a expressão mais visível desse exagero, provocante. Tudo era levado ao extremo em palco pelas estrelas da música. David Bowie apresentava-se com cabelo comprido, maquilhagem, vestido com maiôs justos, cheio de cor e brilho, uma estética requintada que contrastava com um certo desleixo vigente.
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| David Bowie |
O estilo glam-rock adopta tecidos como o cetim e o veludo com aplicações. Botas com cunhas e saltos cada vez mais altos para as calças à boca-de-sino e pantalonas. A maquilhagem torna-se essencial: lápis de contorno e sombras coloridas e brilhantes.
Entre as muitas marcas que traçaram o caminho para tão grande abertura, sobressai Yves Saint Laurent que nos anos 60 e 70 se projecta mundialmente por um lado pela sofisticação e criatividade, inspirando-se nas artes e no esplendor dos trajes folclóricos e cheios de fantasia e, por outro, respondendo à tendência social “anti”. As suas coleções mais memoráveis são Mondrian (1965) Africana (1967) e Opera- Ballets Russes (1976).
Uma das musas de YSL, a actriz francesa Catherine Deneuve, diz que o estilista teve a capacidade de criar para as mulheres uma vida dupla. A roupa de dia para a mulher se apresentar num mundo desconhecido que lhe permite ir a todo o lado sem chamar demasiado a atenção e a roupa que veste à noite, quando pode escolher com quem ela quer estar, sedutora.
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| Catherine Deneuve |
Yves trouxe à moda uma nova atitude. Um bom exemplo é a criação do smoking feminino no final da década de 60 que é considerado uma provocação que permite à mulher apropriar-se de um estatuto social até então quase exclusivo do homem. Yves declarou que desejava ter inventado as calças de ganga como a expressão mais completa do espetacular, prático, relaxado e despreocupado.
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| O smoking feminino |
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| Bianca e Mick Jagger em St Tropez em 1971 |
Toda essa libertação criativa deixou uma grande escola no modo de vestir porque desafiou os criadores a usar definitivamente cada vez mais a imaginação. E é por isso que as novidades daquele tempo funcionam sempre. Da roupa descontraída e ampla ao sofisticado e sensual, passando pelo uso de acessórios entre chapéus de feltro e boinas, lenços e écharpes de todos os tamanhos, as eternas gangas, o clima nostálgico está para dar e durar na moda que usamos reinventando os ícones desse passado glorioso.
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| Jacqueline Bisset |
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| Jacqueline Bisset |
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| Candice Bergen e Jacqueline Bisset |
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| Farrah Fawcett |
Farrah Fawcett


















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