segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Moda reinventa-se com desfiles digitais

Os estilistas estão a trabalhar de casa nas suas coleções. O que devemos esperar? A proteção será essencial, seja ela repensando silhuetas para incorporar máscaras e luvas ou desenvolvendo novos tecidos. “Com certeza quereremos roupas que nos protejam”, diz Rabih Kayrouz numa ligação do seu país, o Líbano. “Quero uma camada de proteção que possa tirar antes de voltar para casa. Nossos gestos mudarão, então as roupas terão que ser adaptadas.” 

Para Serge Ruffieux, director criativo que presta consultoria para uma importante marca da moda chinesa, a resposta da indústria à pandemia será “maior desenvolvimento de tecidos em termos de lavagem ou até algo antibacteriano”. Ruffieux, que está isolado na Normandia, inventou o conceito de “liberdade apocalíptica imposta” que ele traduz em “leveza e cores”. “Na minha opinião, o lado positivo continua sendo o caminho a percorrer". 

Diante dessa austeridade mental e económica, o director criativo da Lanvin, Bruno Sialelli diz que algumas grifes “oferecerão sonho, ingenuidade e escape.”. “Estou do lado do escape”, diz. O diretor criativo da Kenzo, Felipe Oliveira Baptista, concorda: “A Kenzo está muito ancorada no optimismo, o futuro precisa disso para alimentar a esperança. Essa é a hora de ser criativo e diferente. ”Enquanto trabalham remotamente, os estilistas têm superado obstáculos logísticos e feito trocas. A Lanvin substituirá sua pré-coleção por uma coleção-cápsula .

“Queremos que seja elegante e substancial, é mais um trabalho de edição”, diz Sialelli, cuja principal coleção, o verão 2021, também será resumida. “Eu sinto que não precisaremos mais de coleções extensas. Esta crise é uma oportunidade para cada marca repensar na sua proposta, não existem mais regras.”.

Oliveira Baptista usou uma coleção-cápsula que estava quase pronta como base para a pré-coleção. “Foi um bom ponto de partida, porque é muito difícil criar uma peça remotamente”, ele explicou. “A coleção está pronta para ser produzida assim que as fábricas reabrirem”.

Para a temporada de verão 2021, Rabih Kayrouz decidiu usar o seu próprio estoque de tecidos. “É uma espécie de reciclagem interna e tirou um pouco do estresse de todos nós”. Ele também decidiu reduzir para duas coleções ao ano, uma opção que estava considerando há algum tempo. A crise o encorajou a tomar essa decisão. “Temos que parar de criar e produzir mais que o necessário”, explica. 

O British Fashion Council anunciou que a semana da moda de Londres iria ocorrer com uma plataforma digital, em resposta à crise do coronavírus. Enquanto isso, a Federação de Alta-Costura e Moda, órgão governante da moda francesa, cancelou as próximas semanas de moda masculina e de alta costura mas disse que está trabalhando em “projetos alternativos” com seus membros e ainda manterá a semana de moda de Paris como haviam planejado: em setembro, como um evento presencial. (Embora a Saint Laurent já tenha optado em não participar).


Alina: vestido, Proenza Schouler. Laura: vestido, IRO. Tasha: vestido, Lana Müller. Melissa: vestido, Designers Remix.  
(Fotografia de Debora Spanhol. Styling de Tamara Svenja)

"Todos nós sabemos que não é uma boa ideia pedir que 600 convidados viagem de avião. Estamos pensando em novas maneiras de nos comunicarmos e nos engajarmos com os varejistas e a imprensa", diz Serre, que está cética quanto ao formato de desfiles digitais. "A partir do momento que nos comunicarmos com o público de uma nova maneira, será estranho organizar um desfile digital da mesma forma, tentar conceber a passarela sem um público. A própria ideia de uma passarela é de estar próxima dos modelos".

Simmenauer, professor do Institut Français de la Mode (IFM), também questiona a relevância de desfiles digitais. “Eles não têm a exclusividade, a empolgação social da primeira fila e não são uma celebração”. No entanto, da mesma forma que as pessoas assistem Netflix, elas podem querer assistir a um desfile de moda digital. 

  • Originalmente publicado em Vogue Business - 
    Vogue.globo.com 
    por LAURE GUILBAULT 


domingo, 30 de outubro de 2016

O gosto

Toda a filosofia de Kant é dedicada à faculdade de julgar, sendo o processo de conhecimento uma constante formulação de juízos. Segundo Kant existem juízos que são determinados pelas leis do método de obtenção do conhecimento, outros, pelas leis que regem a moral e a acção humana. Já os juízos próprios da capacidade de julgar são de outra esfera, são os que ele denomina juízos estéticos puros, ou mais simplesmente, “juízos do gosto”, que irão ocupar a sua “Crítica da Faculdade de Julgar”. Nesta análise Kant já não analisa nem os primeiros, juízos de conhecimento, como na “Crítica da Razão Pura”, nem os segundos, juízos morais, como havia feito na “Crítica da Razão Prática”.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Vestir com alegria

Como vestir bem? Esta pergunta tantas vezes repetida pode ter muitas respostas. A mais imediata parece ser: vestir de acordo com o gosto pessoal. Mas como descobrir o que é mais adequado a tantas e tão diferentes ocasiões e, ao mesmo tempo, cada um sentir-se bem na sua pele, sem constrangimentos? É simples, basta vestir com alegria. É uma procura incessante que nos leva a inspiramo-nos, é certo, no gosto dos outros, à procura do nosso gosto próprio. Espreitemos propostas desses outros gostos que podem despertar o nosso. Por exemplo uma camisa longa que pode servir de vestido, como nos mostra Not Your Standart, de Kayla Seah, numa produção realizada em Los Angeles


 

Em DansVogue , de Saray Martin, blogue produzido em Barcelona, a proposta é uma selecção de looks muito interessantes para o tempo livre. São opções adequadas a momentos de lazer, ou a pessoas descontraídas, estejam ou não em férias.
 
  
 
A inspiração nos ambientes de Hamptons, Nova Iorque, em Collage Vintage, com produções de Sara Escudero e fotografia de Diego Anciano também pode ser uma descoberta de identidade, ou seja, do estilo próprio de cada um. Desde o vestido-túnica branco que abraça a areia até roupas e acessórios que criam atmosferas étnicas marroquinas ideais para ocasiões de meditação ou convívio.
 
 
 
 
Uma visita ao blogue STLYLEHEROINE com assinatura de Evangelie Smyrniotaki, na Grécia, seduz com belas propostas iluminadas pela fotografia de Haris Farsarakis.
 




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Over and Over

 
Nenhuma outra tendência marcou mais as colecções apresentadas para esta temporada do que a moda dos ídos anos 70. As passarelas encheram-se de propostas das marcas mais influentes, inspiradas nessa era gloriosa, agora mais elegante e menos hippie.




Vogue Itália Suggestions, foto: Kt Auleta
 
Vogue Itália Suggestions, foto: Kt Auleta
 
Talvez esta inspiração não aconteça por acaso. A década de 70 marcou uma concepção nova, muito individualista, de olhar para a moda. Foi um tempo de dispersão. O estilo libertou-se da norma e cada um começou a escolher o que mais lhe agradava.
  Nos anos 70 todos os estilos se misturaram. O hippie natural e boémio, o disco sofisticado e sexy, o desportivo descontraído e confortável, o glam cheio de fantasia, brilho e muito ousado. De repente tudo passou a ser permitido.  O jornalista e escritor norte-americano Tom Wolfe definiu a década de 70 de “me-decade”, ou seja, “a década do eu”. A tal ponto que houve quem a caracterizasse a década do mau gosto, pela mistura e exagero, uma autêntica antimoda.
  A crise do petróleo e consequente recessão e desemprego que assolaram o início da década trouxeram consigo as roupas informais, leves e confortáveis para o dia, mas também muita fantasia e roupa sexy para a noite, nas discotecas, onde a vida real ficava à porta. As roupas tinham de brilhar sob o jogo de luzes. O glam-rock foi a expressão mais visível desse exagero, provocante. Tudo era levado ao extremo em palco pelas estrelas da música. David Bowie apresentava-se com cabelo comprido, maquilhagem, vestido com maiôs justos, cheio de cor e brilho, uma estética requintada que contrastava com um certo desleixo vigente.  

David Bowie

O estilo glam-rock adopta tecidos como o cetim e o veludo com aplicações. Botas com cunhas e saltos cada vez mais altos para as calças à boca-de-sino e pantalonas. A maquilhagem torna-se essencial: lápis de contorno e sombras coloridas e brilhantes.
Entre as muitas marcas que traçaram o caminho para tão grande abertura, sobressai Yves Saint Laurent que nos anos 60 e 70 se projecta mundialmente por um lado pela sofisticação e criatividade, inspirando-se nas artes e no esplendor dos trajes folclóricos e cheios de fantasia e, por outro, respondendo à tendência social “anti”.  As suas coleções mais memoráveis são Mondrian (1965) Africana (1967) e Opera- Ballets Russes (1976).  
 
Ballets Russes (1976)
Uma das musas de YSL, a actriz francesa Catherine Deneuve, diz que o estilista teve a capacidade de criar para as mulheres uma vida dupla. A roupa de dia para a mulher se apresentar num mundo desconhecido que lhe permite ir a todo o lado sem chamar demasiado a atenção e a roupa que veste à noite, quando pode escolher com quem ela quer estar, sedutora.

Catherine Deneuve

 
Yves trouxe à moda uma nova atitude. Um bom exemplo é a criação do smoking feminino no final da década de 60 que é considerado uma provocação que permite à mulher apropriar-se de um estatuto social até então quase exclusivo do homem. Yves declarou que desejava ter inventado as calças de ganga como a expressão mais completa do espetacular, prático, relaxado e despreocupado.

O smoking feminino
 
Uma das referências dos anos 70 é Bianca Jagger
 
Bianca e Mick Jagger em St Tropez em 1971

YSL
 

Toda essa libertação criativa deixou uma grande escola no modo de vestir porque desafiou os criadores a usar definitivamente cada vez mais a imaginação. E é por isso que as novidades daquele tempo funcionam sempre.  Da roupa descontraída e ampla ao sofisticado e sensual, passando pelo uso de acessórios entre chapéus de feltro e boinas, lenços e écharpes de todos os tamanhos, as eternas gangas, o clima nostálgico está para dar e durar na moda que usamos reinventando os ícones desse passado glorioso.

 
Jacqueline Bisset
 
Jacqueline Bisset
 
Candice Bergen e Jacqueline Bisset

Jacqueline Bisset
 
Farrah Fawcett

Farrah Fawcett

Faye Dunaway

Faye Dunaway





 
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

New Boho



A estética boémia veio para ficar.  Chique e ultra feminino, o novo estilo Boho acentua-se no próximo Outono/Inverno com abundância de vestidos diáfanos florais e detalhes de franjas.


 
 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Boho Chic


 
 
Inspirado num modo de ser entre o hippie e o boémio, o estilo Boho Chic é a tendência mais forte da temporada. Vão surgir novas propostas e acessórios para o Outono/Inverno com as camurças em alta.